The Walking Dead: porque a série deverá ser um grande sucesso

Ahhh, mortos-vivos... uma das criaturas malignas mais famosas, seja em contos antigos ou modernos. Talvez sua lenda tenha surgido a partir de algum religioso tentando assustar o homem por sua busca incessante por imortalidade... mas bom, não é a discussão que eu quero entrar aqui!

Na verdade, quero mostrar como um tema como esse que já foi explorado por muitos durante séculos e mídias diferentes ainda pode ter surpreendentes histórias a serem contadas.

Esse é o caso de sucesso de The Walking Dead, que ao que tudo indica, estará trazendo grande qualidade não só para esse ramo de criaturas assustadoras , mas para a cena dramática das grandes produções de tvs, se tornando uma das melhores modernas  do tipo. Entrarei em mais detalhes a seguir.

História

Primeiramente, para falarmos da série da TV, precisamos analisar antes o material ao qual se faz adaptação.

 

Para quem não sabe, The Walking Dead é adaptada de uma revista de graaaande sucesso da editora Image Comics (aquela do Spawn, ta ligado?) escrita pelo gordinho foda do Robert Kirkman e inicialmente desenhada por Tony Moore láááááá por outubro de 2003, sendo lançada ainda até os dias de hoje, mais precisamente na edição 78. Na história, Rick Grimes, um policial rodoviário de uma cidade do interior, fica ferido ao perseguir alguns bandidos e acaba por entrar em coma. Coincidentemente, seu despertar ocorre logo depois da infestação e da tentativa de combate do governo ao tentar exterminá-la, de forma mal-sucedida. Sua primeira preucupação ao despertar não é nem entender o que está acontecendo, mas sim saber sobre o paradeiro de sua família: sua esposa Lori, e seu filho pequeno, Carl.

Até aí, tudo bem... muitos que acompanham esse histórias com mortos-vivos podem achar essa história nada criativa... por exemplo, esse papo de despertar do coma pode ser visto em Extermínio (aka. 28 Days Later). O próprio Robert Kirkman já afirmou ser fã de filmes desse estilo, tendo como principal fonte de inspiração as obras do mestre Romero (sendo considerado por muitos a maior referência quando o assunto é mortos-vivos) e até os próprios mortos-vivos são retratados de forma clássica, mesmo o público mainstream ter demonstrado sua preferência pelos mais velozes de Madrugada dos Mortos (aka Dawn of the Dead), são os mais “lerdinhos” que aqui se fazem presentes.

Então, vêm a pergunta “o que faz TWD esse sucesso todo?” Pois nota-se como a Fox e a AMC estão apostando alto na publicidade dessa série. Pra mim, atenciosos leitores, o segredo está em explorar a seguinte questão: “o que faria o ser humano nessa situação? Até que ponto levarias seus valores morais e éticos contra sua sobrevivência? Quais seriam as repercussões (ou melhor, os danos) psicológicos a partir dessa mudança radical de vida?”.

Mais uma vez, querido (e chato, porém atencioso) leitor, pode vir a pensar que não tem nada de criativo nisso,  pois as mais bem sucedidas obras realmente focam nisso... mas o segredo de TWD está na forma como Kirkman conduz essa mudança, mais realista e impactante, não sofrendo um tipo de censura para atingir um determinado tema. É interessante analisar como a “evolução” desses personagens ocorreu durante esses anos todos lendo as edições... meses atrás, voltei a ler as primeiras edições (comecei a acompanhar a série em 2006) e é deveras interessante ver como todas as coisas que acontecem lá atrás refletem em momentos chaves para decisões (certas ou não) do grupo. Por motivos óbvios, Rick Grimes é o que carrega o fardo maior, simbolizando quase um mártir da sobrevivência ao demonstrar qual o preço que se paga pela sobrevivência: se afastar cada vez mais do certo e errado da antiga sociedade. Ou ver como as crianças reagem ao crescer nesse novo mundo, já que mal lembravam de como era antes, trocando brinquedos por armas de fogo, e se acostumando com a tomada de certas decisões embasadas nos novos (mas não tão agradáveis) valores. Outro fator interessante pouco explorado em outras mídias é o impacto a longo prazo na humanidade ao (con)viver sob essas circunstância caso não exista uma solução, e isso é explorado com maestria por Kirkman. Na revista, não existem datas que facilitem a interpretação do leitor a respeito do tempo, mas existem ações presentes com as quais você pode ter uma idéia: como uma gestação, ou a recuperação de um ferimento, ou o crescimento de uma barba... ao meu ver, fica evidente o estresse de não saber quando tudo isso vai terminar, seja em uma mordida de morto-vivo,  ou na batalha contra outro sobrevivente, ou com algum problema de saúde, ou na melhor (ou pior) das chances, envelhecer nesse mundo.

Se tratando a respeito da expectativa de vida nesse mundo, digo que Kirkman surpreende ao matar certos personagens de formas como realmente devem ser retratadas... então, não ache que fulano ou ciclano  vai sobreviver porque tem motivações x, y e z... como dito antes, TDW tende a ser impactante principalmente nessa área.

Bom, não vou entrar em mais detalhes sobre os quadrinhos, pois daqui a pouco eu já começo a spoilear e não vai ser nada legal...

Produção

A AMC anunciou a série em janeiro de 2010, e já em maio começou suas gravações na cidade de Atlanta (cidade aonde se passa nos quadrinhos também) ordenando apenas seis episódios para a primeira temporada. Provavelmente, o momento de aprovação da série ocorreu na exibição do trailer da série na Comic-Con 2010, onde público entrou em frenesi ao assisti-lo.

O sucesso foi tamanho que a FOX teve a iniciativa de distribuir a série em mais de 120 países, adotando um delay de apenas dois dias em relação a exibição americana. Após todas essas repercussões e muitos elogios quanto a publicidade e distrbuição, em agosto (antes mesmo da estréia da série oficial) a AMC já encomendou uma segunda temporada (agora, com 13 episódios) e contando ainda com a participação na direção de alguns episódios do próprio George Romero.

Tocando no assunto, na parte técnica do seriado, temos nomes bem fortes figurando. Provavelmente, o mais famoso deles é o de Frank Darabont, o principal desenvolvedor da série. Talvez, por nome você não saiba, mas ele é responsável pela direção de obras consagradas como Um Sonho de Liberdade (aka The Shawshank Redemption), À Espera de um Milagre (aka The Green Mile), Cine Majestic e uma das mais bem sucedidas adaptações das obras de Stephen King no cinema, O Nevoeiro (aka The Mist)... além disso, temos a série toda supervisionada pelo próprio Robert Kirkman, para conforto dos fãs.

Outra questão excelente é a maquiagem dos zumbis na série, que dá de dez a zero em muitas produções de filmes e investiu caro para que se destacasse nisso, como pode ser comprovado nas duas imagens vistas nesse post.

Seu primeiro episódio, exibido em 31 de outubro, em uma premier especial de 90 minutos de episódio, batendo recordes de audiências nos EUA, sendo sucesso de crítica e reconhecendo merecidamente o grande esforço na qualidade da produção e na divulgação da série.

Outra coisa que me impressionou foi a caracterização dos atores escolhidos. Sim, ainda é cedo para falar de atuação, já que só temos dois episódios por enquanto , mas já podemos ver que na parte visual, a série foi muito fiel ao que é retratado na revista. Vale ressaltar também que temos a inclusão de novos personagens, exclusivos para a série de TV, o que também motiva os fãs a acreditarem que a série não será tão previsível quanto parece.

Enfim, você ainda acredita que exista motivos para essa série não se tornar um sucesso? Me despeço avisando que o deixadenErDice acompanhará também os episódios (prometo que não terá 1/5 do tamanho desse post, hehehe) e agora, deixando-lhes  com o trailer exibido na Comic-Con legendado:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=nUptVaHWQw4]

 

Acompanhem, e não se arrependerão!

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