Texto: Vírus por Neil Gaiman

Aproveitando que estou colhendo bastante material interessante na pós em games que estou cursando atualmente na PUCRS em Porto Alegre/RS, trago para vocês dessa vez um texto bem interessante do Neil Gaiman, intitulado "Vírus" que tem relação direta com experiência em games.

Confira a baixo:

Vírus Neil Gaiman

Havia um jogo de computador que ganhei. foi um dos meus amigos que me deu, ele jogava esse jogo, disse: é brilhante, você deve jogar, E joguei, e era.

Copiei-o do disquete que ele me dera para outros, queria que todos jogassem. Todos deveriam divertir-se daquele modo incrível. Enviei-o online a BBSs mas principalmente distribuí a todos os meus amigos.

(Contato pessoal. A maneira que me fora dado.)

Meus amigos eram como eu: alguns tinham medo de vírus, alguém dá a você um jogo num disquete, na semana seguinte ou na sexta-feira 13 ele reformata o seu disco rígido ou corrompe sua memória. Mas esse aqui nunca fez isso. Era muito seguro.

Até mesmo meus amigos que não gostavam de computadores começaram a jogar: quanto mais você melhora, mais difícil fica o jogo; talvez nunca vença, mas você fica muito bom. Eu sou muito bom.

É claro que gasto muito tempos jogando. Também meus amigos. E os amigos deles. E as pessoas que você encontra, pode-se vê-las, andando por velhas estradas, ou esperando na fila, longe dos seus computadores, longe das casas de diversões eletrônicas que surgem durante a noite, Jogam, entrementes, esse jogo nas suas cabeças, combinando formas, montando quebra-cabeças com contornos, pondo cores ao lado de cores, torcendo sinais em novas seções de tela, ouvindo a música.

É claro, as pessoas pensam sobre o jogo, mas principalmente jogam-no. Meu recorde é dezoito horas de uma vez. 40.012 pontos, três fanfarras.

Você joga entre lágrimas, dor no pulso, fome, depois de um tempo tudo vai embora. Tudo menos o jogo, devo dizer.

Não há mais espaço em minha mente; espaço para outras coisas. Copiamos o jogo, demos aos nossos amigos. Transcende a língua, ocupa nosso tempo, às vezes acho que esqueço coisas do agora.

Pergunto-me o que houve com a TV. Havia TV. Pergunto-me o que acontecerá quando acabar minha comida enlatada. Pergunto-me onde foi todo mundo. Então, percebo como - se for bastante rápido - posso colocar um quadrado preto ao lado de uma linha vermelha, refletindo-o, girando-o, assim ambos desaparecem, deixando vago o bloco da esquerda. para uma bolha emergir... (Assim ambos desaparecem.)

E, quando a energia acabar, então Jogarei esse jogo na minha mente até morrer.

(Publicado em Fumaça e Espelhos: Contos e Ilusões, 2004, Via Lettera)

Esse texto foi passado pelo professor André Pase na aula de Entretenimento Eletrônico.

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