Reclamo sim, e tô vivendo - Tributo a um velho amigo

O que mais faço na internet é vagar à toa. Buscar um assunto aleatório, ir clicando em links e mais links até esquecer qual era o assunto inicial. Isso eventualmente pode ser útil, embora na maior parte das vezes eu encontre algo bacana e depois não faça a mais vaga ideia de como procurar para encontrá-la de novo.

Nessa quarta-feira, Dia de Finados, estava lendo aleatoriedades sobre jogos de NES e o sistema em geral. Indo pra lá e pra cá, leio algo sobre a falência da Dynacom, blá blá blá. Até aí nenhuma grande novidade, porque já sabia que a Dynacom estava longe dos tempos de glória de outrora. Mas continuei googlando loucamente e WAAAAAAAAAAAAAATTT.

O que me deixou surpresa nisso tudo é que tenho absoluta certeza de que nem faz tanto tempo assim que entrei no site oficial da Dynacom. O site não existe mais. E também não faz tanto tempo assim que comprei o Dingoo (tanto não faz que ainda falta pagar uma parcela, pobre é uma coisa triste). Poréééém... Pesquisei nas mesmas lojas de antes (Casas Bahia e Ponto Frio) e o Dingoo está esgotado, assim como não há oferta de outros produtos da Dynacom. Os rumores de falência existem desde o começo do ano, mas se ainda havia produtos a venda, nem que fosse ponta de estoque, ainda era uma coisa boa. Agora nem isso. Ou seja, se torna mais real o fato de a Dynacom não existir mais.

Isso doeu em mim, porque a Dynacom me faz uma criança feliz até hoje. Voltemos ao Natal de 1993, ocasião em que ganhei meu Dynavision 3. Não me lembro de em algum momento ter pedido um videogame pra minha mãe, mas ela achou uma boa ideia de qualquer forma e é isso que importa. O único jogo que veio foi o F-1 Race, com uma música enjoada pra cacete. Minha mãe jogava mais do que eu, se bobear ela até zerou (E EU NUNCA ZEREI UM JOGO NA VIDA, alguém me dá um tiro?). Até que um belo dia a gente emprestou a fita, ela voltou estragada e o Dynavision ficou encostado por um tempo.

Num dia mais belo ainda, minha mãe descobriu uma loja de brinquedos que LOCAVA fitas. Foi o ressurgimento do Dynavision na minha vida, nisso eu já devia ter uns 10 anos. Não é preciso mencionar que o fracasso aqui evoluía bem pouco num jogo durante um fim de semana, mesmo assim me divertia. Exceto quando o jogo era algo no estilo Pac Man ou Galaxian, porque daí minha mãe jogava mais do que eu. Logo ela começou a comprar cartuchos pra mim, muitos no estilo 99999 in 1, que eram ótimos.

Acho que a primeira coisa “não perecível” que comprei com o MEU dinheirinho foi um cartucho de Super Mario 3, padrão americano, o único jogo original Nintendo/Playtronic que tive. O melhor jogo da face da Terra até então (e, por que não, até agora?), taí suas 18 milhões de cópias vendidas que não me deixam mentir.

Prosseguindo minhas andanças pela internet, vi um pessoal falando dos Nintendos fake que pipocaram no mercado brasileiro, ou Famiclones (achei ótimo o nome), e tinha gente reclamando do controle em forma de manche do Dynavision 3. Eu, particularmente, não tenho nada a reclamar dele (a não ser o fato da nossa mão ficar “moldada” nele depois de muito tempo jogando), muito pelo contrário, o achava prático, principalmente pra jogar Mario, era bem fácil correr e pular ao mesmo tempo. Não sei se é reflexo da minha saudade ou se sou só descoordenada mesmo, mas tenho muita dificuldade com pads, tanto é que nunca me atrevi a jogar Super Mario World no SNES da minha roommie, prevendo o fracasso.

Depois de alguns anos de intensas atividades, meu Dynavision pifou, e nessas alturas da vida era difícil e caro consertar, então minha mãe comprou outro genérico, mas dessa vez não da Dynacom. Recentemente comprei o Dingoo, o que fez reavivar meu carinho pela Dynacom. Ela foi uma das precursoras no mercado de games no Brasil (o Dynavision 1 era um clone do Atari), e tenho certeza de que graças a ela milhares de crianças conheceram a Nintendo.

Embora, como já mencionei, não tenha sido muito surpreendente, a falência da Dynacom me deixou bem chateada. Não que eu tivesse qualquer expectativa de um lançamento inovador (além de diversos designs de Dynavision, hahaha), era a segurança de que ela “estaria lá”. Pelo menos tenho o Dingoo e a lembrança dos bons momentos que o Dynavision me trouxe. ^^

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