Profissional de Carne e Osso: Lígia Fascioni

Fala moçada! Hoje estréia a mais nova coluna do blog, a "Profissional de Carne e Osso" e nossa intenção aqui é mostrar pra vocês, que os profissionais que tanto admiramos e que nos inspiram, também são como nós, também tem manias, são gente como a gente! Eu (Aline) e o Matt, vamos sempre entrevistar profissionais bacanas e mostrar pra vocês um lado mais descontraído, vida pessoal e curiosidades sobre eles que vocês nem imaginam!

(Imagem retirada do blog da nossa entrevistada)

E pra começar com o pé direito, nossa primeira, e ilustríssima top blaster master convidada, foi ninguém menos que a Lígia Fascioni! (tá pensando o que? o deixadenerdice não tá pra brincadeira não hein!)Para quem não conhece a Lígia Fascioni, hoje ela trabalha com Gestão Integrada e Consultoria no campo de design, e também ministra palestras por todo o país. Além disso ela também tem projeto paralelo deAtitude Profissional. Autora de quatro livros, sendo o mais recente o "DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica"  .

Dotada de uma simpatia inigualável, sorrindo o tempo todo, Lígia bateu um papo descontraído comigo, e conversamos sobre um pouco de tudo, viagens, vida profissional e curiosidades. E garanto a vocês que fiquei surpresa com tanta energia  e determinação concentradas em uma pessoa só! Durante nossa conversa deu pra perceber que Lígia é uma daquelas mulheres que bate um bolo, fala ao telefone e resolve uma equação de física ao mesmo tempo! Sem falar na sua formação profissional que é de deixar qualquer um de boca aberta: "Engenheira eletricista, Mestre em automação e Controle Idústrial, Especialista em marketing e Doutora em Engenharia de produção com foco na área de Gestão Integrada do Design" - (trecho retirado de seu livro: DNA Empresarial).

Além de tudo isso, ela é ilustradora e já cruzou o Chile e a Argentina de moto, quer ser piloto de helicóptero um dia e ainda pensa em aprender a tocar saxofone! Vou confessar que, ela me inspirou muito a ser mais curiosa/determinada com a vida! Garanto que vai inpirar todos você também!

(Imagem: Ligia Fascioni)

E aí, ficou curioso pra saber mais sobre ela e sobre o que rolou no nosso bate-papo? Então confere na seqüência a entrevista completa, bate-bola, tete a tete, jogo rápido que rolou, com ela que é uma mulher moderna, uma mulher aventureira, uma mulher determinada: Ligia Fascioni. (Marilia Gabriela feelings)

Entrevista - Profissional de Carne e Osso: Lígia Fascioni

Lin:  Então, hoje vamos conversar  com a Lígia Fascioni, que publicou recentemente o livro “DNA Empresarial - Identidade Corporativa Como Referência Estratégica”, ela foi queridissíma e cedeu essa entrevista para nossa nova coluna  no blog, que é a “Profissional de carne e osso”, e nosso objetivo é mostrar pra vocês que os profissionais de design  não estão num pedestal, eles são gente como a gente, eles também tem uma vida além da vida profissional.

Lígia, muito obrigada por ceder essa entrevista pra gente!

Lígia Fascioni: Eu que agradeço a oportunidade.

Lin: Você foi muito legal em aceitar ser nossa primeira profissional a participar dessa coluna, olha a responsabilidade hein Lígia! Então, vamos ao que interessa, a primeira pergunta é: O que incentivou você a seguir uma carreira profissional?

Lígia Fascioni: Na carreira profissional na área de design? Ou de uma maneira geral?

Lin: De maneira geral.

Lígia Fascioni: De maneira geral, quem me incentivou foram meus pais, quem me incentivou principalmente foi o meu pai, que era mecânico de avião, e ele gostava de me explicar como que as coisas funcionavam e eu gostava de entender como é que as coisas funcionavam. Aí, baseada nisso fiz escola técnica, fiz engenharia, depois fiz mestrado em automação e controle, mas aí essas coisas eu adorava, gostava muito, mas, a partir de um momento passaram a ser muito simples, eu queria aprender mais coisas. Aí fiz uma pós em marketing, depois da pós em marketing fiz uma pós em comunicação e propaganda, e aí eu ouvi falar na palavra “design”, me apaixonei por design e fiz o doutorado em design.

Lin: Então você é uma curiosa.

Lígia Fascioni: Sou basicamente uma curiosa e empolgada. [risos]

Lin: Então, pra você, o segredo pra conseguir alcançar objetivos é você ser curioso dentro...

Lígia Fascioni: Não, não precisa ser dentro, pode ser fora, curioso em qualquer área. Curiosidade é fundamental pro ser humano, assim, se a gente não é curioso, a gente se estabelece numa situação, numa zona de conforto, não quer aprender mais nada, acha que já sabe tudo e aí só falta enterrar.

Lin: Já existiu algum fator que quase fez você desistir da sua profissão?

Lígia Fascioni: Não, olha, eu confesso que eu penei bastante porque na turma de engenharia eu era a única mulher, eram 49 homens e eu, e alguns professores, faz mais de 20 anos, eram bastante preconceituosos, então no primeiro dia de aula eles diziam que eu devia desistir, falavam com todas as letras que eu não devia tá lá, que eu ia repetir de disciplina, que eu ia ter que fazer de novo porque eu não ia conseguir passar, mas eu sempre consegui passar, então o que era dificuldade se transformou em força, pra mim era mais um desafio e agora virou história. [risos]

Lin: Então você usou as barreiras para fazer com que você crescesse?

Lígia Fascioni: Sim, com certeza.

Lin: Então, saindo um pouco mais dessa área de profissão, indo pro lado do lazer. Quando você era criança, o que você preferia, jogar video-game ou brincar na rua?

Lígia Fascioni: Menina, sou muito velha, na minha época não tinha videogame! [risos]

Lin: Ahhh Lígia! Mas você gostava de fazer alguma coisa!

Lígia Fascioni: Eu adorava ler, mas eu jogava bola na rua o dia inteiro, fiz ginástica olímpica, jogava queimada, subia em cima de árvore, então eu sempre tive, e até hoje eu tenho, bastante atividade física, mas adoro ler. Sou viciada em papel. E agora em computador também, né!

Lin: E o que você faz pra poder sair da rotina, porque a gente sabe que quando um profissional chega no patamar que você está hoje, tem muito trabalho, quem trabalha com essa área de design tem que se dedicar, tem uma demanda muito grande. E o que que você faz pra sair dessa rotina de trabalho, de pesquisa, de atender as pessoas, de clientes...?

Lígia Fascioni: É, eu tenho sorte porque eu escolhi isso, foi uma escolha profissional minha, um tipo de trabalho que eu criasse, e isso é tudo de bom, porque quando você viaja, você muda de cenário e daí não tem rotina. Quando eu estou em casa, eu tento aprender coisas diferentes, eu tento viajar também não a trabalho, principalmente, a passeio, eu gosto de ler muito, ler pra mim é a melhor coisa da vida, porque você viaja, você aprende, você conhece outras pessoas, você conhece principalmente outrais idéias, então essa parte pra mim é fundamental. Então eu penso que, quando você é curioso e continua curioso, não tem rotina, você sempre vai ter coisas diferentes pra explorar. Eu gosto muito de desenhar também, eu sou ilustradora...

Lin: Então você procura sempre estar fazendo coisas fora do seu trabalho?

Lígia Fascioni: É que meu trabalho inclui tudo, então tudo eu aproveito.

Lin: Então tudo você aproveita mas transforma numa coisa que seja boa.

Lígia Fascioni: Isso, é tudo feito com prazer. Não tem nada que, tipo, quando começa a doer eu acho que tem que mudar, que tem alguma coisa errada. Se você tá sofrendo, se aquilo é um sacrifício, você acordar de manhã pra trabalhar e é ruim, mude. Isso aí vai dar câncer, uma hora ou outra vai dar, então é bom, no começo do desconforto, já ver, analisar o que tem de errado, e mudar.

Lin: Então pegando gancho nisso de trabalho, de você tá fazendo com prazer o que você gosta, além dessa área de gestão, que é o que você fala nos seus trabalhos, com seus livros, qual é a área do design que você mais se interessa, que você tem interesse, que você gosta, que você procura, que você entra na internet e pensa "ah, eu vou acompanhar"?

Lígia Fascioni: É, pra mim não tem uma área, tem muitas. Então assim, design gráfico é uma coisa que eu acho muito interessante, ilustração, porque eu também trabalho com ilustração, e a área de design thinking, que agora que tá começando a ter mais informações a respeito, e de ciência cognitiva, que pra mim é um assunto fascinante que eu estou começando a estudar agora e está me fascinando. Eu também tenho um trabalho paralelo na área de atitude profissional, tenho até um projeto com um outro consultor, nós desenvolvemos um produto pra desenvolvimento de líderes, então sobre liderança também tô estudando bastante. Assunto pra estudar é o que não falta.

Lin: Você é curiosa, então você tá sempre atrás de alguma coisa nova pra tá trabalhando, isso é muito bom porque te transforma num profissional multidisciplinar, isso é muito bom, e você é feliz! Agora, saindo um pouco do design, pra gente não ficar nesse clichê de tá falando só sobre design. Você tem alguma música, ou alguma banda, que você não vive sem?

Lígia Fascioni: Ah, eu não vivo sem música, mas eu não fico escutando sempre as mesmas músicas.

Lin: Mas tem alguma coisa assim que você tem um xodó?

Lígia Fascioni: Olha, eu cresci nos anos 80, então aquelas bandas dos anos 80: Paralamas, Legião, Capital Inicial, Kid Abelha, essa parte eu de vez em quando escuto de novo, adorava Marina Lima. Agora eu curto bastante a Maria Gadu, é... deixa eu ver quem mais, ah, tem muitos, agora assim, devia ter preparado uma lista. [risos]

Lin: Tem que ser o que vier à sua cabeça.[risos]

Lígia Fascioni: É que tem muita coisa que vem à minha cabeça, pegar o meu podcast e dar uma geral, eu gosto muito de música brasileira, mas tem umas bandas, Coldplay eu adoro, tem U2, mas U2 também é dos anos 80, não sei se conta.

Lin: Ah, até hoje, acho que música...

Lígia Fascioni: É atemporal.

Lin: É um negócio que vai acompanhar você pra sempre, a gente ouve de tudo, mas sempre tem aquela banda que a gente ouve sempre, é motivo da gente “Pô, hoje quero ouvir tal banda”.

Lígia Fascioni: É, eu gosto muito de jazz, tem uma cantora americana que eu gosto muito, é a Cassandra Wilson, adoro aquela mulher...

Lin: Maravilhosa.

Lígia Fascioni: Então assim, varia muito, depende do estado de espírito... Ah, eu gosto de Black Eyed Peas pra dançar, então tem tudo.

Lin: Tem de tudo, então a hora que você colocar a playlist pode tocar qualquer coisa...

Lígia Fascioni: Shuffle. [risos]

Lin: Shuffle, vai tocar de tudo.

Lígia Fascioni: Exatamente!

Lin: Teve algum momento na sua vida que, você nunca vai esquecer, sabe, aquele momento especial, um momento inesquecível?

Lígia Fascioni: Teve, um dia na minha vida que foi o top master blaster. Bom, teve dias importantes, o dia da formatura, pra mim, foi um dos dias mais importantes, mas o dia mais punk da minha vida foi o dia que eu cruzei de moto, o Paso de San Francisco, que cruza da Argentina pro Chile, de moto, que a gente ficou a 5 mil metros de altura durante mais de 8 horas, são 500km entre o nada e o alguma coisa, e assim, a paisagem é lunar, parece que você tá em outro planeta. Quando a gente cruza o Paso, e a gente chega na Argentina, parece cenário de filme, porque era tudo amarelo, toda a vegetação era amarela e cheio de vulcões em volta. E a luz, a gente chegou 8 horas da noite, tava começando a escurecer, e a gente pegou a Cordilheira dos Andes lilás, gente, aquilo ali, até me arrepiei. Eu tenho algumas fotos no meu blog de viagem de moto, mas as fotos não produzem absolutamente nada, nada se compara aquela sensação de você olhar a Cordilheira dos Andes lilás na sua frente.

( Imagens da Viagem - Fotos: Lígia Fascioni)

Lin: Então, pegando o gancho que você falou da moto, você tem um blog, o Duas Motos, que você posta sobre suas viagens, eu queria saber, por que eu acompanho sempre, e vejo que a vários anos todo ano você faz uma viagem. E assim, você viaja de moto, já que não é muito comum mulheres viajando de moto, Queria saber, esse instinto de conhecer os lugares, o que levou você a todo ano tá viajando, pegar a moto e cair na estrada?

Lígia Fascioni: É, foi assim, no começo, bom, eu gosto de viajar de qualquer coisa: de ônibus, de camelo, de avião, de navio, de qualquer coisa. E aí, teve um ano, dez anos atrás, meu marido, que na época era meu namorado, comprou uma moto e combinou com alguns amigos que iria ao Chile, perguntou se eu queria ir junto, óbvio, nem precisava perguntar que eu queria. Só que aí, como era a primeira vez e eles não sabiam direito, eu fui de avião até Santiago do Chile e lá a gente se encontrou no Chile.

E pra mim foi tão bacana, e pra ele também foi tão legal, que a gente, depois daquele ano,todo ano, entre Natal e Ano Novo, é onde a gente tem férias mesmo, nada profissional, e eu moro em Florianópolis essa ilha transborda entre o Natal e o Ano Novo, fica insuportável, pra qualquer lado que você se vire vai ter engarrafamento, é tudo cheio demais de gente. Então, entre o Natal e o Ano Novo, umas duas, três, quatro semanas, a gente sai e viaja. Então, os primeiros quatro, três anos, eu viajei na garupa dele. Depois eu conheci uma moça, a Maria Verbena, que ela era 1,50m, praticamente, 1,52, e ela pilotava uma moto gigante. Quando eu conheci aquela mulher, falei: “Gente, se ela pode eu também posso!”, e nunca tinha me passado pela cabeça pilotar, nem nunca pensei a respeito.

Lin: Mas você já tinha habilitação?

Lígia Fascioni: Não! Não sabia nem ligar uma moto.

Lin: Meu Deus!

Lígia Fascioni: Aí eu me matriculei numa auto-escola, meu marido achou o máximo, e aí ele que comprou uma moto pra mim, uma Bros 150 pra começar, fiquei um ano andando com a Bros, fiz viagenzinhas curtas, depois troquei por uma Falcon, fui até, cruzei o Atacama inteiro com a Falcon, cruzei a Cordilheira dos Andes, fui até o Uruguai, fui até Iquique, fiz uma viagem bem grande, e agora tô com uma moto 800cc, mentira, agora não tenho mais porque vendi a minha moto porque a gente vai se mudar, mas vou comprar uma igual depois, mas quando eu comecei a pilotar, aí foi muito bacana, porque, primeiro, é a sensação de poder, você comanda a máquina, depois, não tem um capacete na tua frente, te interrompendo a visão, e é uma sensação de liberdade tão grande, só que eu não gosto de viajar na cidade, gosto de pegar a estrada vazia, porque você fica horas sem falar e só observando a paisagem, são lugares assim, com paisagens de outro planeta, a Patagônia e a Argentina, o Chile, o Atacama, esses lugares, com cidades muito pequenas, então é uma higiene mental assim, que é uma meditação você pilotar com uma moto num lugar desses, você esvazia a tua cabeça.

Uma vez eu vi uma propaganda argentina que traduzia muito bem, era um spa: “Três semanas de amnésia garantida, ou seu dinheiro de volta”. É isso, amnésia garantida por três semanas, você volta zerada, zerada. Então é necessário, a gente já fez nove viagens, e eu sinto falta se não fizer, aliás, eu nunca deixei de fazer, porque pra mim é vicioso. Pra qualquer lugar, não interessa onde a gente vá, é necessário ficar três semanas com a cabeça esvaziada. A única preocupação nossa é onde é que a gente vai jantar.

Lin: Claro, porque comer é essencial.

Lígia Fascioni: E é uma delícia comer nos lugares onde a gente não conhece, e a gente conhece as pessoas do lugar, vai em lugares, antes a gente viajava com várias pessoas, aí a gente sacou que, viajando só nós dois, as pessoas locais se aproximavam mais, claro, viajando em dez motos, ninguém chega perto, e daí você não conhece o lugar. Então, quando você viaja em um casal, todo mundo vem conversar, vem perguntar, principalmente porque uma das pessoas é mulher, pilotando uma moto...

Lin: Justamente, não é comum.

Lígia Fascioni: Então as pessoas perguntam, a gente fica conhecendo, a gente conhece um monte de gente assim. É muito bacana, é muito legal.

Lin: Então é como você falou, é o seu hobby, é seu momento de paz, e onde você se encontra e você fica em paz.

Lígia Fascioni: A higiene mental do ano.

Lin: Ligia, você segue alguma religião?

Lígia Fascioni: Não, para a infelicidade da minha mãe, não sigo.[risos]

Lin: É, os pais sempre esperam que a gente siga.

Lígia Fascioni: Não, a minha mãe é espírita, eu não acho que a religião espírita seja ruim, na verdade, das religiões que existem, é a que eu mais me identifico, porém eu duvido demais pra ser religiosa.

Lin: Entendi...

Lígia Fascioni: Eu não sou atéia, tá, apenas eu sou herege só. [risos]

Lin: Eu acho assim, por exemplo, se você não segue uma religião, você respeitando as outras religiões, então você não é herege, você simplesmente é uma pessoa que vive a sua vida e faz bem pras pessoas, você não precisa dar uma nomenclatura, específica, pra isso. Mudando novamente de assunto, Quando você decidiu que você ia ser engenheira, você teve apoio da sua família?

Lígia Fascioni: Sim. Porque meu pai, ele sempre foi mecânico de avião, e eu ficava fascinada em saber como as coisas funcionavam, aí fui fazer escola técnica justamente por isso, porque eu adorava física, eu gostava de mecânica, fiz eletrotécnica, adorava, fui fazer engenharia, adorei, realmente tinha apoio da minha família, o meu pai ficou muito orgulhoso, porque ele não era engenheiro, ele não pôde estudar, mas ele ficou bem orgulhoso, quando eu decidi, quando eu me formei, então eu tive apoio da minha família. Eu encontrei muita resistência da sociedade, a minha vó dizia que eu não ia me casar, ela ficava preocupada, que eu andava com um bando de homens o dia inteiro, que ia ficar falada...

Lin: Que nem quando você faz design e a sua família pergunta, “Mas você vai fazer o quê? Vai ganhar dinheiro como?” Quase isso né?

Lígia Fascioni: Mas engenheiro é uma profissão mais tradicional, engenharia é mais tradicional, então não perguntam esse tipo de coisa.

Lin: Era porque você era mulher.

Lígia Fascioni: Era porque eu era mulher, então as pessoas diziam, a minha vó dizia: “Ah, mas você vai estudar tanto e depois vai casar, vai ter filho, não vai mais trabalhar”, então pra quê, porque é um curso muito puxado, muito puxado não descreve, é um campo de concentração aquilo. É legal, é bacana você aprender, mas aquilo custa, é muito custoso, é um curso onde 80% de reprovação é o comum em todas as disciplinas. Então, você saindo dali, o resto é refresco, tudo é refresco. Então foi bastante difícil, mas do meu pai e da minha mãe eu sempre tive apoio.

Lin: Isso que é importante, né. Ligia? Se você hoje, não trabalhasse com design, nem com engenharia, tem algum sonho que você queria ter seguido?

Lígia Fascioni: Gostaria de ser jornalista, gostaria de ser paleontóloga, gostaria de ser piloto de helicóptero, eu tenho planos pras próximas cinco encarnações, não sei, já tá quase indo pra sexta. Eu gosto de dançar, adoro dançar...

Lin: Você queria ser dançarina profissional?

Lígia Fascioni: Sim, também é uma das alternativas.

Lin: Nossa, Lígia, você tem muitos sonhos!

Ligia Fascioni: É, nossa! Eu queria tocar saxofone!

Lin: Nossa! Mas saxofone ainda é possível.

Lígia Fascioni: Não, tudo ainda é possível, calma, querida! Eu me matriculei numa auto-escola sem saber ligar uma moto com 39 anos, tenho 44, olha quanta coisa dá pra fazer!

Lin: Ligia! Tá no tempo! Eu concordo, tem que pilotar um helicóptero. Agora, a pergunta principal: qual é a sua maior nerdice?

Lígia Fascioni: Minha maior nerdice? Bah, cara, eu fico o dia inteiro grudada na frente daquele computador, e eu adoro jogar Mahjong. Nossa, adoro, sou viciada, em Mahjong e Sudoku. É muita nerdice! [risos]

Lin: Você é muito nerd!

Lígia Fascioni: Nossa, muito, Sudoku eu sou viciada.

Lin: Lígia, qual é a sua pior mania?

Lígia Fascioni: Minha pior mania? Eu descasco a minha unha. Minha unha é muito fraquinha, ela já é fraquinha e eu fico descascando, um horror. Essa mão dura dois dias, com muito esforço.

Lin: Qual é a coisa que você mais detesta, que você não suporta na vida inteira, aquela coisa que te dá arrepio na alma, que você, tipo, “Uuuhhhhh!Sai daquiiiiiiiii”?

Lígia Fascioni: Eu fico impaciente quando eu vejo incompetência, por que não é imcopetência porque a pessoa não sabe, é porque ela não quer. Então você chega pra ser atendido em um lugar e a pessoa se finge de morta, diz que não é com ela, aí você tem que fazer aquele drama e no final a pessoa te traz o papel que você queria depois de três horas de choradeira, que era só um carimbo.

Assim, isso me irrita profundamente, eu não sei por que tem pessoas que dedicam a vida a atrapalhar a vida dos outros, por que elas não dão o carimbo que precisava dar? Eu não entendo qual é a filosofia de vida dessas pessoas.

Lin: É o que acontece muito, às vezes, por exemplo, eu vou numa loja, e eu sou estudante, e você tava na faculdade, e estudante não anda bem arrumado, mas, você entra numa loja pra comprar alguma coisa, as pessoas não te atendem só pela sua aparência, eles atendem muito mal, sabe, com má vontade...

Lígia Fascioni: Aí elas reclamam da vida e sempre a culpa é dos outros...

Lin: Justamente, colocam nos outros o peso da sua incompetência.

Lígia Fascioni: Isso me irrita.

Lin: Agora, vou te perguntar: Qual que é a comida que você não troca por nada nesse mundo?

Lígia Fascioni: Ah, você vai rir: eu adoro alcachofra [risos]

Lin: Sério? [risos]

Lígia Fascioni: Na verdade, eu gosto de alcachofra, eu gosto de... eu adoro comer em bistrô, se eu pudesse eu só comia em bistrô, aqueles pratos bem enfeitados assim...

Lin: Coisa de designer.

Lígia Fascioni: Coisa de gente fresca, eu sou fresca com comida, eu sou fina.

Lin: Você é que nem a Carolina Ferraz , eu sou Ryyycah!

Lígia Fascioni: Eu só não tenho dinheiro, mas eu sou rica, é um estado de espírito. Eu gosto de coisa de rico, entende? Eu gosto de coisa bonita, eu gosto de prato arrumado, se eu cozinho em casa, se eu for fazer arroz com ovo frito, o arroz vai tá em volta, o ovo vai tá no meio do prato, pra mim é tudo assim, beleza pra mim é essencial.

Lin: A estética vale mais do que a comida.

Lígia Fascioni: Vale.

Lin: Pode tá ruim, mas se tiver bonita tudo certo.

Lígia Fascioni: Eu não produzo em lugar feio, eu não consigo, eu não racíocino.

Lin: É, então, vamos agora pra um outro patamar de perguntas, agora é papo sério: Ligia, Seu coração tem dono?

Lígia Fascioni: Nossa muito! Dono, cadeado, tudo!

Lin: Nossa, o coração todo trabalhado no adamantium!

Lígia Fascioni: Adamantium?????What is this?

Lin: Adamantium, do Wolverine...[risos]

Lígia Fascioni: Aaahh... Super-herói... Tem, tem dono, super dono. Acho que é o grande amor da minha vida.

Lin: Nossa, história de amor mesmo hein, Ligia.

Lígia Fascioni: Nossa, história de amor assim: Top!

Lin: Agora voltando a falar de design. Qual a sua opinião sobre o futuro do design hoje no país?

Lígia Fascioni: Eu acho que o design tem um grande futuro, porque com a história do design thinking, as pessoas estão começando a respeitar o design, tão começando a entender do que se trata, apesar do design thinking ser uma técnica aplicada, ele tá vindo à tona, as pessoas tão falando, tão indo atrás pra entender, tem design service que tá aflorando agora.

Lin: É, eu vejo que o design thinking, de repente foi um boom, todo mundo atrás, todo mundo querendo saber o que é, sabe, isso é muito bom.

Lígia Fascioni: E assim, eu acho muito bacana, por exemplo, a Época Negócios, você não pega uma edição dessa revista, que é de negócios, que não fale sobre design. Quando uma revista de negócios começa a falar de design é porque o negócio tá andando. Eu tenho grandes expectativas, principalmente porque quando uma revista de negócios fala de design, ela tira o design daquele patamar operacional, que infelizmente é o que as escolas de design, muitas ainda pregam, que o designer é um cara que vai lá e faz, pra passar pra uma coisa mais estratégica, que eu acho que o papel do designer é estratégico, não é operacional. Porque se ele se concentrar em ser, somente só  e absolutamente operacional, e perder a parte estratégica, é aí que ele concorre com o micreiro, que o micreiro é operacional.

Lin: Eu li no seu blog, eu concordei bastante quando você postou falando daquele caso do We Do Logos, que você disse que, a partir que o designer tá se incomodando...

Lígia Fascioni: Se o cliente compara e não vê diferença, a culpa é do designer, porque o cliente é leigo, se ele olhar e não conseguir perceber a diferença entre o trabalho de um e de outro, é porque são iguais, só o que vale é o ponto de vista do cliente, e mais nada, então se o cliente olha e ele coloca no mesmo patamar de comparação, cuidado, a culpa não é do cliente.

Lin: Exatamente, porque o papel do designer é mostrar pro cliente a importância do design.

Lígia Fascioni: Exatamente.

Lin: Pra gente encerrar, uma palavra de incentivo pra quem tá começando, quem quer começar, ou trabalha na área e não tá satisfeito, você tá estudando, estudando e ainda não se encontrou, o que você diria pra pessoa que ainda não se encontrou?

Lígia Fascioni: "Continue procurando, torne a procura divertida, se você não achar pelo menos você se divertiu, não vai ser perda de tempo."

[ Ligia com nosso presentinho! - tietagem mode = on ]

E aí, curtiu nossa primeira entrevistada?Deixa aí sua opnião!

Espero que vocês tenham curtido esse papo maravilhoso que eu tive com a Lígia, sou até suspeita pra falar algo, por que se eu já admirava o trabalho dela, agora: virei fã de carteirinha!

E espero que tenham gostado dessa nova coluna que foi pensada especialmente pra vocês! E claro, um MUITO OBRIGADA a Lígia Fascioni que foi super atenciosa e recebeu a gente super bem pra essa entrevista! (ainda bem que o cachê foi só um escondidinho de charque) E MUITO OBRIGADA também a Nicoli Ferraz, que foi a responsável por conseguir essa entrevista da Lígia pra gente, um beijo pra você SUA LINDA.

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