O Guia dos Nerds das Galáxias - Cranbrook

Aooooooooooooooooo!!! Depois de umas férias, estou de volta!!!

Estou aprofundado em um poço chamado TCC! Sim, meu trabalho de conclusão de curso, que de tão grande, durará um ano - ou seja, só em Junho! Mas por um EXCELENTE motivo, que em outro dia discursarei sobre!

Agora vamos falar um pouco do lado nerd do design! Sim, sobre tipografia! Outra vez falei sobre Weignart, agora é a vez de Cranbrook! Prontos?

Cranbrook foi facilmente considerado um modelo de como trabalhar o design de forma livre e expressiva, onde a prática da experimentação era primária. Mas mesmo assim, teve três fases importantes: a expansão da linguagem formal do modernismo, o alto formalismo e a pós-estruturalista, mas jamais saindo da estrutura básica da experimentação. E graças à Cranbrook, nos anos 80, foi ampliada e muito a idéia do profissional do design.

Seguindo o modelo Bauhaus que conectava a arte com a indústria, a escola de arte acrescentou o modelo de direcionamento pessoal. A partir disso, Katherine e Michael McCoy viraram co-diretores do departamento de design.

[caption id="attachment_6899" align="aligncenter" width="250" caption="Katherine McCoy"][/caption]

Sem um certo planejamento, apenas experimentando e direcionando os alunos, formou o caos organizado que, por sua vez, fez com que os estudantes focassem mais nos projetos e ficassem muito mais motivados. Era a pesquisa, bibliografia, leitura, estudos e práticas estimuladas que faziam com que os estudantes aprendessem tanto e atingissem grandes resultados. Todos os departamentos e escolas internas interagiam entre si, tornando alojamentos e refeitórios os locais de discussões, processos e aprimoramentos, verdadeiros laboratórios experimentais.

McCoy defendia a idéia da interação e junção da forma e conteúdo, que sempre foi tema de discussão. Nas palavras dele, a forma pode ser o conteúdo, assim como pode contê-lo. Seu pôster de 1989 simboliza tais palavras, contendo tipografia, colagem e informações interagindo entre si, de maneira criativa e coerente.

Trabalhando como base com o antigo modelo equacional de cadeia de Shannon & Weaver, o “emissor > mensagem > receptor”, elemento fundamental de comunicação, McCoy continuou aprimorando os sistemas de ensino e solucionando problemas. Focou muito na arte suíça, Como Karl Gerstner e Emil Ruder, assim como outras vertentes estrangeiras.

Levar para Cranbrook o designer autodidata Ed Fella para interagir espontaneamente entre os estudantes e aprimorar a tendência do “design mais popular”, fez com que as pesquisas e resultados fossem estimulados mais ainda, resultando inclusive em famosos livros feitos pelos estudantes.

O Desconstrutivismo foi importante para Cranbrook, praticamente um lema, como resposta ao estruturalismo. “Desconstruir” informações e objetos, remontá-los e com a ajuda da idéia primordial da experimentação, ajudou a dar novos significados, múltiplos significados sobrepostos.

McCoy, em conjunto com os estudantes Richard Kerr, Alice Hecht, Jane Kosstin e Herbert Thompson, chocou os designers da época com um projeto novo e diferente, totalmente fora das estruturas de legibilidade, com diferentes padrões de leitura. Composições flutuantes, alternando formas e tipografias, botando assim em prática tudo que haviam ensinado em Crambrook.

A segunda fase de Cranbrook foi fazer com que o designer fosse um “comentarista” e participante das mensagens de rótulos, previsões do tempo ou páginas amarelas. Abrangeu a mente e a visão dos estudantes. A tipografia neutra ganhava transformações e variações e interpretações distintas. Era uma nova fórmula para o cálculo de Shannon & Weaver.

A terceira fase era ainda mais astuta e ousada, desafiando estilos de época, teorias e críticas. Será que todas essas leis são corretas? Será que o designer tem que seguir tudo aquilo que é postulado ao redor do mundo? McCoy tinha em mente que o caminho é a experimentação, seja alterando regras, misturando-as ou criando novos caminhos, pois é isso que o designer faz, dá forma às coisas e trabalha com elas. E a tipografia é uma das formais mais expressivas de idéias, presente em todos os lugares. Experimentar tipografia é criar e ir além.

E é isso! Volto em uma quinzena! Tipografia é uma coisa interessante. E ao mesmo tempo, algo para morrer de ódio! Um mal necessário! E o design vive disso, não é mesmo?

Ótimo fim de semana para vocês! Manerem na cerveja!

o/

Ir para o topo