Indies Made in Brazil: MiniBoss

Fala pessoal! Hoje a gente começa uma nova coluna aqui no deixa, depois da Jogos Made in Brazil e da Profissionais Made in Brazil, é hora de conhecer um pouco mais dos estúdios indie brasileiros através da Indies Made in Brazil.

Vamos começar a primeira edição da coluna conversando com o pessoal da MiniBoss (Talbot's Odyssey, Planetary Plan C), estúdio indie com pouco tempo de vida, mas que já mostrou vários trabalhos de qualidade no mercado nacional e internacional dos games. Tive a oportunidade de conversar um pouco com a Raquel “Amora”, uma das cabeças do estúdio e esse papo que vocês podem conferir logo a seguir.

Nome: Raquel “Amora” Oliveira

Idade: 24

Cidade/Estado: Campinas/SP

Profissão: Artista 2D

Portfolio: amoraportfolio.carbonmade.com

Quando você se interessou em começar a trabalhar com games?

Trabalhar com games sempre foi um sonho de criança, de quando eu alugava fitas para jogar no meu Super Nintendo toda semana. Mas achava que fosse algo completamente impossível, não só enquanto pequena, mas por muitos anos depois. Nunca havia ouvido falar de ninguém que trabalhasse com jogos, era sempre algo muito distante, “lá no Japão”, ou “lá nos Estados Unidos”, realmente era muito ignorante quando o assunto era jogo como trabalho e não só lazer.

Desde criança fiz muitos cursos dentro da área de que mais gosto, que é desenho. Trabalhei (trabalho) com ilustração e animação. Em 2007 um amigo me falou do RPG Maker e eu comecei a perceber que podia fazer um jogo na minha casa, com amigos que tivessem força de vontade o suficiente ou até sozinha. Aí o interesse surgiu de verdade.

Como foi o início da MiniBoss? E quais são as dificuldades que vocês enfrentam como desenvolvedores independentes?

Em agosto de 2010, eu e o Santo (Pedro Medeiros) resolvemos testar o programa Construct e fazer um joguinho bem bobo chamado Six Feet Over. A ideia era fazer uma série de joguinhos simples, então criamos um blog para falar sobre o desenvolvimento deles e pensamos num nome para nós dois como um time.

A partir de um segundo teste com a mesma engine, saiu o Talbot, e logo o Rafa se juntou a nós para compor a trilha sonora do jogo. E esse foi o começo da MiniBoss.

As maiores dificuldades que enfrentamos são as mesmas do dia-a-dia de qualquer outra pessoa. Precisamos pagar nossas contas e não é com a MiniBoss que fazemos isso. Alguns de nós tem empregos fixos, outros são freelancers, outros dão aulas e fazem faculdade. Quando o dia acaba, a MiniBoss começa, à noite, na casa de cada integrante. Eu diria que, como desenvolvedores independentes, nossa maior dificuldade é sermos obrigados a ter toda uma rotina normal antes de podermos fazer o que realmente gostamos.

Como surgiu a ideia do game Talbot’s Odyssey? E onde vocês pretendem chegar com esse jogo?

O Talbot era só um pequeno teste que estávamos fazendo no Construct. Na verdade a nossa ideia era sobre um grupo de astronautinhas meninas que caíam num planeta desconhecido, e queríamos que o jogo fosse procedural, gerasse cada vez uma fase diferente, uma história, um final. Então fizemos um pequeno teste que gerava labirintos procedurais, e fizemos uma bolinha andando pra lá e pra cá.

Escolhemos uma bola porque eu estava um pouco enferrujada como animadora, então precisava recomeçar pelo básico. Vimos que ia ser muito complicado fazer o jogo do jeito que estávamos pensando, porque não tínhamos um programador, então resolvemos focar no que sabemos fazer, a arte. O jogo todo procedural foi posto de lado e assim começamos o desenvolvimento do Talbot.

Hoje, quase um ano depois, nós desistimos de continuar fazendo o jogo no Construct, pois estava ficando muito pesado e cheio de bugs. Ele está sendo programado de novo, na engine própria do programador da MiniBoss.

Onde pretendemos chegar com o Talbot? Não pensamos nisso ainda. Por enquanto, o nosso principal foco está sendo em tentar fazer um jogo com a maior qualidade que pudermos. Quando estiver mais perto do fim, ou pronto, pensamos no que vamos fazer com ele exatamente.

Vocês já ganharam prêmios com a versão atual do Talbot's Odyssey e o reconhecimento da qualidade do game é bastante grande entre os jogadores, vocês acreditam que a pressão só aumenta para a entrega do produto final? Como vocês lidam com isso?

Na realidade, esse tipo de reconhecimento é, para nós, mais um impulso para continuar do que uma pressão. Sabemos que se as pessoas estão gostando do jogo do jeito que ele está agora, é quase certeza que vão gostar da versão final também, já que estamos seguindo a mesma direção, o mesmo senso de humor e sendo perfeccionistas sempre que possível.

A MiniBoss não estaria tão viva se não fosse por esse reconhecimento positivo, é realmente nosso maior estímulo, lidamos bem com isso.

Conte pra gente como é normalmente o dia-a-dia da MiniBoss, quantas pessoas estão trabalhando atualmente nos projetos da empresa e o que cada uma faz no desenvolvimento dos jogos?

A MiniBoss não é uma empresa, pelo menos por enquanto. A minha casa tem uma sala que parece um estúdio, já que vivo com o Santo e nós trabalhamos o dia inteiro aqui. Temos que colocar como prioridade tudo o que é freelance, o que paga nossas contas, e assim que ficamos “livres”, fazemos as coisas da MiniBoss. Cada integrante tem o seu dia-a-dia normal e se dedica ao grupo quando pode.

Atualmente estamos com 5 pessoas na equipe, - eu, Santo, bitmOO, Rafa e Rodrigo - um colaborador de som - Gabriel - e dois colabores de arte - o casal do 2Minds Studio. A divisão entre os projetos está assim:

Talbot’s Odyssey: Rodrigo Monteiro (programação), Amora e Santo (arte), bitmOO (concept art e arte adicional) e Rafa Miranda (trilha sonora).

Out There Somewhere: Amora (arte), Santo (arte e programação), Gabriel Duarte (trilha sonora) e os 2Minds Thiago Lehmann e Luiza McAllister (concept art).

Não vou entrar em game design, direção, roteiro etc, são coisas que acabam ficando um pouco mais centralizadas em mim e no Santo, mas na prática são feitas por todo mundo.

Mais sobre cada membro aqui: studiominiboss.com/about/.

Que dicas vocês dão para as pessoas que querem se aventurar nesse mercado de games no Brasil?

Bem, estou há um ano desenvolvendo com a MiniBoss e pegando freelance de arte para jogos de iPhone. Trabalhei durante alguns meses numa start-up que, como várias outras empresas de jogos, precisou demitir um monte de gente e cancelar seus projetos de um dia para o outro.

Com esse pouco tempo de experiência na área e vendo esse tipo de coisa acontecer cada vez mais, só posso dizer que ainda não consigo entender o mercado brasileiro de jogos direito. Tem muito potencial, mas é muito amador ao mesmo tempo, para mim ainda é cedo para ter uma opinião mais concreta.

Acho que a melhor dica, por enquanto, seria: não vá brincar de fazer jogo se é no dinheiro que você está pensando. Jogo é uma forma de arte como qualquer outra, merece respeito, merece ser estudada. Não é só sair copiando “jogos que venderam horrores” que você vai nadar em dinheiro.

Quer realmente trabalhar com jogos? Trabalhe, oras. É só começar, compre o GameMaker, baixe o Construct ou o Stencyl. Comece um jogo em casa, estude, conheça outras pessoas que fazem o mesmo. Poste o desenvolvimento do seu jogo em algum fórum próprio pra isso, comece tudo de novo se não estiver bom. Mas o mais importante: comece pequeno. Sério, faça um joguinho bobo.

Em qualquer outra área, começar pequeno é muito chato. Eu, como desenhista, nunca gostei de ter que desenhar a tal da maçãzinha em preto e branco, queria mesmo era fazer uma ilustração maravilhosa, toda colorida, com cavaleiros e espadas e tal.

Mas com jogo é diferente. Na realidade, começar simples e pequeno é MUITO legal, um grande desafio. É muito mais fácil pensar num MMO incrível cheio de personagens animados em 3D do que em algo simples e bom. E só isso já vai dar muito, mas muito mais trabalho do que parece.

No fim, a melhor parte é ver alguém jogando seu jogo e se divertindo, não importa o que ele seja.

O deixadenerdice agradece a Amora e a MiniBoss pelo tempo concedido para essa entrevista e a gente acredita bastante que ainda vamos ouvir falar muito desse estúdio e principalmente vamos ter a chance de jogar vários games bacanas desenvolvidos por essa galera.

Para maiores informações sobre a galera da Miniboss:

Site da empresa: studiominiboss.com

Twitter: @studioMiniBoss

Facebook: facebook.com/pages/MiniBoss/

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