deixadenErDice assistiu: The Collector

Tudo começou quando estava pesquisando algumas coisas sobre a franquia Jogos Mortais, a respeito de produção, roteiro e direção... até que me deparei com diversos comentários a respeito desse filme, que foi realizado por Patrick Melton (roteiro) e Marcus Dunstan (roteiro e direção) que tem seus nomes envolvidos na franquia Jogos Mortais desde o 4º filme.

O que acontece é que esse filme, na verdade, quase se tornou o prequel de Jogos Mortais, o que eu irei comentar logo em seguida além da crítica sobre o filme.

A história tem como protagonista Akron (interpretado por Josh Stewart, o telecinético assassino de No Ordinary Family) que desesperado para pagar uma perigosa dívida feita por sua ex-esposa que bota em risco a segurança de sua filha, pretende roubar onde presta serviço de consertos, a casa de Michael Chase (interpretado por Michael R. Burker) dono e presidente de uma rede de joalheiras. Enquanto trabalhava, ele escuta que Michael programou uma viagem com sua esposa Victoria (interpretada por Andrea Roth, a mulher louca do bombeiro Tommy Galvin de Rescue Me) e suas duas filhas Hannah (uma garotinha de 9 anos interpretada por Kaley s. Collins) e a mais velha Jill (feita pela pouco boa da Madeline Zima, a Mia de Californication) dando oportunidade para que ele entre na casa e tenha acesso ao cofre. Momento perfeito, né? O problema é que ao entrar na casa, ele acaba se deparando com um serial killer conhecido apenas como ‘Colecionador’ (por causa da mania de colecionar pessoas) que está mantendo a família como refém, e montou diversas armadilhas mortais na casa, começando assim a luta pela sobrevivência de Akron.

Com 1h30m de duração, o thriller lançado em 2009 consegue prender bem usando de tensão psicológica da captura e cenas de violência com certo ar doentio (não é a toa que nos EUA, o filme recebeu o primeiro selo “NC17 – Perversidade e violência sádica”) e consegue ter uma atuação expressiva e sólida do protagonista, o ator Josh Stewart (eu só conhecia o seu trabalho em No Ordinary Family mesmo) que muitas vezes fica dividido sobre o que deve fazer e o que é o melhor a se fazer. Esses pontos positivos vêm só a somar para um roteiro com alguns furos, mas bem intencionado e contando com algumas surpresinhas no final.

Quem acha que pelo o que comentei a respeito das armadilhas, o Colecionador é semelhante à Jigsaw, vamos deixar algumas coisas claras: o Colecionador é um psicopata que deixa explicito apenas seu desejo (e prazer) por sofrimento e morte (ao contrário de Jigsaw, que se enxerga como um crítico e salvador de vidas) mas que possue também certos procedimentos e “ordem” (de forma premeditada e calculista) nas coisas que faz (por exemplo, dele sempre levar alguém, usada como frase no poster) de uma forma muito mais caótica e orgânica do que Jigsaw, que faz mais o tipinho (des)construtor da moral  e genial engenheiro de armadilhas , mas ao contrário de Jigsaw, o Colecionador não depende delas para matar, sendo até muito habilidoso com facas.

Já sobre a produção, tem uns ótimos fatores de destaque. A intro do filme parece um  belíssimo video snuff experimental, contendo algumas saturações (que serão vistas em várias partes de tomadas noturnas no filme) que lembra muito Quarto do Pânico, e um efeito de brilho interessante nos olhos do Colecionador (como se fosse um predador noturno) constratando com uma rústica, mas bonita máscara (que não irei postar, claro :P) a lá "Estranho Mundo de Jack no Mundo" na vida real, além de ótimos enquadramentos e ângulos (que me lembraram bastante Silent Hill e Quarto do Pânico novamente) que deixavam as cenas mais trabalhadas. Outro ponto é a qualidade das cenas gore do filme, pois ao contrário dos filmes do tipo que costumam abusar de computação gráfica, The Collector faz tudo mais visceral e natural possível, mas não apela de closes (opção comercial, claro) o que é uma pena para fãs doentes do gênero como eu.

Por coincidência, mais uma trilha sonora feita por alguém do meio Industrial, provavelmente porque Patrick e Marcus gostaram do resultado apresentado por Charlie Clousure (conhecido também no meio Industrial) na franquia ‘Jogos Mortais’, Jerome Dillon (ex-batera do NIN) fica responsável pela trilha (que ao contrário do que se pode pensar, não é presente só de referido estilo) que já dá uma ótima impressão na música-tema na intro, ou em uma épica cena sensual seguida de morte ao som de Bela Lugosi's Dead do Bauhaus.

Bom, vamos agora ao fato curioso: em uma entrevista ao Blood-Disgusting, Patrick revelou algumas coisas:

"Bom, a história é que Leigh Whanell (roteirista da primeira trilogia de Jogos Mortais) não queria mais escrever um novo roteiro depois do terceiro. Então,  eles estavam procurando por escritores. Eles não tinham muita história para o 4º filme, e um executivo da Twisted (produtora da franquia Jogos Mortais) leu ' The Midnight Man' (primeiro título de The Collector) e pensou que poderia ser um bom prequel, explicando o incidente traumático que aconteceu com John Kramer (Jigsaw para desinformados e esquecidos) quando era mais novo. Mark e Oren não queria um prequel como aquele, então a idéia acabou indo pelo ralo, mas o script serviu para nos colocar escrevendo os Jogos Mortais 4, 5, & 6."(além do 7º, que ainda não tinha entrado na produção na época da entrevista)

Então, para quem curte um bom filme gore sem muito papinho com CGI, fãs de Jogos Mortais, e amantes de thrillers tensos com um  roteiro bacana, em meio as tosqueiras que andam saindo, esse filme vale muito a pena.

Fiquem com o trailer:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=xV_OMPMtpjY]

Obs: ao estar fazendo esse post, descobri que atualmente eles estão gravando a sequência, ' The Collection', então se existe uma sequência à caminho, serve de mais incentivo para assisti-lo...

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